Alguém ainda vem aqui?
De qualquer jeito:
Estou num dia péssimo, não fui à escola e só consigo pensar no quanto sou medíocre.
Acho que tenho inveja de algumas pessoas que fazem o que eu sou.
Cantam, escrevem, desenham... criam.
Eu nunca tive inveja dessas qualidades, porque delas sempre usufrui naturalmente. Entretanto, sinto-me atrasada a cada dia que passa, enquanto este pensamento aos pouco me enfraquece, impedindo a ação, a revolta. Perdi-me na segurança infantil de estar sempre agradando e conseqüentemente não agrado mais ninguém. Estou pronta aos olhos do mundo, mas a meus olhos o mundo é o mesmo ambiente acolhedor a dizer "muito bem!" a cada mísera conquista de meu crescimento pessoal. Pois ainda estou crescendo, só eu sei... E com a relutância de um condenado.
O modo como sou vista pelo mundo simplesmente não é o modo como quero ser vista. Sendo assim, a confusão acerca de "quem sou" e "quem quero ser" é tamanha. Freqüentemente encaro a seguinte dúvida: "sou como me vejo ou sou como me vêem?"
Sinceramente, de mim para mim mesma, a melhor explicação para a fossa na qual tolamente me afundei é um ego espremido pelo superego.
Acho que vou soltar o id e mandar um "foda-se".
Psicanálise rules!
quarta-feira, 14 de maio de 2008
quarta-feira, 9 de abril de 2008
sexta-feira, 4 de abril de 2008
segunda-feira, 31 de março de 2008
Eu e a Tua Boca
Tive medo de me perder, pois que fiquei tempo demais no outro.
Um dia ainda entendo como (me?) ser!
Tua boca beijou minha mão, e um coração que creio ser o que é meu bateu e bateu num sorriso de mil dentes. Meus mil dentes. Eu toda desencadeada por ti... eu!
Penso que me encontrei.
Um dia ainda entendo como (me?) ser!
Tua boca beijou minha mão, e um coração que creio ser o que é meu bateu e bateu num sorriso de mil dentes. Meus mil dentes. Eu toda desencadeada por ti... eu!
Penso que me encontrei.
segunda-feira, 17 de março de 2008
Nova Aurora
O teu olhar me sorri, o meu peito é tambor,
Amo na confusão de sentir (teu amor).
E temo pelo ocaso de nós dois;
E vivo a acreditar em nova aurora...
Depois.
Amo na confusão de sentir (teu amor).
E temo pelo ocaso de nós dois;
E vivo a acreditar em nova aurora...
Depois.
terça-feira, 11 de março de 2008
Um Dia
Crescer me dói nos ossos, na pele e no hipotálamo. E incita-me a desistir de me ser, para ser apenas.
Sou o quê?
Eu já sou?
Eu vivo, respiro, escrevo e lhe garanto. Eu crio, eu faço.
Mas por trás disso há o quê?
Há "por trás disso"?
Eu cresço, eu sumo, me acho, me perco...
Ou finalmente vejo que nunca fui e nem serei (o que eu quero).
O que eu quero?
Sou o quê?
Eu já sou?
Eu vivo, respiro, escrevo e lhe garanto. Eu crio, eu faço.
Mas por trás disso há o quê?
Há "por trás disso"?
Eu cresço, eu sumo, me acho, me perco...
Ou finalmente vejo que nunca fui e nem serei (o que eu quero).
O que eu quero?
sábado, 23 de fevereiro de 2008
Quando não se sabe
Foi como acordei: sem saber.
O teto parece-me atraente ao olhar, com sua pureza de branco gelo. "Eu tenho que arrumar este quarto", penso.
"Tenho que arrumar esta vida."
Fecho os olhos. Que dor estranha... é o medo da dor, mais que a dor em si. Eu não sei se vou senti-la, eu não sei como vai ser.
É mais angústia e frio do que qualquer outra coisa.
"Você sabe?"
Eu perguntei... mas não estou querendo descobrir.
O teto parece-me atraente ao olhar, com sua pureza de branco gelo. "Eu tenho que arrumar este quarto", penso.
"Tenho que arrumar esta vida."
Fecho os olhos. Que dor estranha... é o medo da dor, mais que a dor em si. Eu não sei se vou senti-la, eu não sei como vai ser.
É mais angústia e frio do que qualquer outra coisa.
"Você sabe?"
Eu perguntei... mas não estou querendo descobrir.
sábado, 26 de janeiro de 2008
Vez
Ah, quando foi que me afastei da cega felicidade? A pseudo-satisfação dos sentidos, o prazer de voar numa gaiola de grades invisíveis?
Quando que escapei da prisão de mim mesma e, então, finalmente me fui por inteiro, fui o que sempre estive destinada a ser?
Quando das amarras do controle mundano me soltei para encontrar-me num céu de possibilidades infinitas?
Quando?
Vejo que viver transpassa a existência simples e banal. Vejo que viver é muito mais do que desejar a vida.
Viver é... não sei o que é viver, Meu Deus!
Viver me parece apenas não ser isto: tudo que já tentei até agora.
Quando que escapei da prisão de mim mesma e, então, finalmente me fui por inteiro, fui o que sempre estive destinada a ser?
Quando das amarras do controle mundano me soltei para encontrar-me num céu de possibilidades infinitas?
Quando?
Vejo que viver transpassa a existência simples e banal. Vejo que viver é muito mais do que desejar a vida.
Viver é... não sei o que é viver, Meu Deus!
Viver me parece apenas não ser isto: tudo que já tentei até agora.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Perfeita
"Bata as asas, anjo."
Ela está perdida em um labirinto de vícios e virtudes, quando poderia acabar com tudo, sobrevoar seus obstáculos. Decidiu ser ordinária. Escolheu os desafios renegando seus dons, dons que a distinguem de tudo que quer ser: humana e imperfeita; normal.
Errante por um caminho incerto. Passa-se um, dois, três dias.
Mas ainda é um anjo, e suas asas pesam: "você é perfeita!"
Quatro, cinco; o anjo pára. Olha ao seu redor e vê-se entre quatro muros de pedra. Está presa. Afinal, o labirinto lhe reservou para agora o teste maior. Atordoa-se, e em um dos cantos se deixa cair, encostando a cabeça contra a pedra. Os seus olhos se fecham. Não há solução para alguém comum.
"Mas você é um anjo... Abra os olhos."
E acima dela um céu crepuscular sorri, estendendo-lhe um caminho de nuvens seguras.
É viver ou morrer, anjo.
Então bate as asas, ganha altura e voa em direção oeste: o pôr-do-sol.
Ela é perfeita.
Ela está perdida em um labirinto de vícios e virtudes, quando poderia acabar com tudo, sobrevoar seus obstáculos. Decidiu ser ordinária. Escolheu os desafios renegando seus dons, dons que a distinguem de tudo que quer ser: humana e imperfeita; normal.
Errante por um caminho incerto. Passa-se um, dois, três dias.
Mas ainda é um anjo, e suas asas pesam: "você é perfeita!"
Quatro, cinco; o anjo pára. Olha ao seu redor e vê-se entre quatro muros de pedra. Está presa. Afinal, o labirinto lhe reservou para agora o teste maior. Atordoa-se, e em um dos cantos se deixa cair, encostando a cabeça contra a pedra. Os seus olhos se fecham. Não há solução para alguém comum.
"Mas você é um anjo... Abra os olhos."
E acima dela um céu crepuscular sorri, estendendo-lhe um caminho de nuvens seguras.
É viver ou morrer, anjo.
Então bate as asas, ganha altura e voa em direção oeste: o pôr-do-sol.
Ela é perfeita.
Mistério
O mistério tem tudo. Tem tudo pelo simples fato de poder ser qualquer coisa.
Imagine um mistério: Uma incógnita. Um não saber de infinidades. Uma infinidade de soluções. Eis que o universo escolhe somente uma para que nela se aplique a verdade.
E quando você a encontra, meu caro... elementar que se sinta um Sherlock.
Imagine um mistério: Uma incógnita. Um não saber de infinidades. Uma infinidade de soluções. Eis que o universo escolhe somente uma para que nela se aplique a verdade.
E quando você a encontra, meu caro... elementar que se sinta um Sherlock.
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Pingüim, Hiena
Desengonça, pára, encara. Bate o bico e bate o pé. Deita de barriga e acabou: Pingüim te conquistou.
A Hiena ri, é peluda, come restos e ri.
Sério, quem você leva pra casa?
Hiena diz: Pingüim fede a peixe!
Pingüim diz: Hiena fede.
Hiena: Pingüim tem uma bicanca horrorosa!
Pingüim: Hiena é horrorosa.
H: Pingüim... Pingüim é bonito.
P: Hiena é fei... Ahm?
H: Pingüim é seu.
P: Tá legal... Eu sou seu! Viu? Ganhamos!
Você: Mas eu só queria uma hiena...
A Hiena ri, é peluda, come restos e ri.
Sério, quem você leva pra casa?
Hiena diz: Pingüim fede a peixe!
Pingüim diz: Hiena fede.
Hiena: Pingüim tem uma bicanca horrorosa!
Pingüim: Hiena é horrorosa.
H: Pingüim... Pingüim é bonito.
P: Hiena é fei... Ahm?
H: Pingüim é seu.
P: Tá legal... Eu sou seu! Viu? Ganhamos!
Você: Mas eu só queria uma hiena...
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
Ferro
Causou-me uma dor... dor que pesou na face, nos olhos. Que tremeu as mãos, juntou-me os dedos em aflitos estalares. Dor daquilo que não se esperava.
Apenas uma surpresa. Mas tudo sempre fora tão previsível! Foi como deparar-me com espinho na rosa tratada: tão pequeno e me incomoda; tão pouco, tão nada... e me corta!
Como pode? Eu sou de ferro, quase morta.
Fez-me esquecer que não se rima em prosa... e que mentira só combina com o nariz grande do Pinocchio.
Pelo menos, como já dito (ou mentido), sou de ferro, não madeira.
Apenas uma surpresa. Mas tudo sempre fora tão previsível! Foi como deparar-me com espinho na rosa tratada: tão pequeno e me incomoda; tão pouco, tão nada... e me corta!
Como pode? Eu sou de ferro, quase morta.
Fez-me esquecer que não se rima em prosa... e que mentira só combina com o nariz grande do Pinocchio.
Pelo menos, como já dito (ou mentido), sou de ferro, não madeira.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Consciência
E é assim: Paf!
Não sou mais interessante.
"E daí?"
Silêncio! Não sou mais interessante.
"É que já se sabe tudo sobre você, entende?"
Não, não mesmo. Não entendo.
Talvez...
Vou inovar, então.
Surpreender.
Ser nova.
"Ser outra."
Ser outra?
"É."
Não! Por que sempre me diz isso?
"Eu lá sei?"
Esquece, vou arranjar consciência mais interessante.
Não sou mais interessante.
"E daí?"
Silêncio! Não sou mais interessante.
"É que já se sabe tudo sobre você, entende?"
Não, não mesmo. Não entendo.
Talvez...
Vou inovar, então.
Surpreender.
Ser nova.
"Ser outra."
Ser outra?
"É."
Não! Por que sempre me diz isso?
"Eu lá sei?"
Esquece, vou arranjar consciência mais interessante.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
O Gosto
Um gosto; ao pensar neles me vem o mesmo gosto, sempre. Uma ânsia, um descompasso, uma impressão. Uma marca de fogo em minha carne do pescoço. Um baque, um toque, uma chamada. Um estrondo, um empurrão.
Uma coceira na garganta. E a tosse seca, seca.
O gosto.
Não provei do que provaram: não provei deles.
Mas ele vem, o gosto. E sobe amargo, vem do peito; e sai azedo, boca afora...
Sai?
Ele sempre volta.
Uma coceira na garganta. E a tosse seca, seca.
O gosto.
Não provei do que provaram: não provei deles.
Mas ele vem, o gosto. E sobe amargo, vem do peito; e sai azedo, boca afora...
Sai?
Ele sempre volta.
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Aprendendo
Difícil é conformar-se com o inevitável. A maldita sensação que vem do peito e sobe aos olhos em raro rio d'água salgada. E escorrerá até o fim do dia; somente outro projeto falho de viver.
O escuro do vazio não paga meus erros de aprendiz.
O escuro do vazio não paga meus erros de aprendiz.
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
What can I say?
Wanna tell you about the girl I love
My she looks so fine
She's the only one that I've been dreamin' of
Maybe someday she will be all mine
I wanna tell her that I love her so
I thrill with her every touch
I need to tell her she's the only one I really love
Hey, hey... What can I do?
My she looks so fine
She's the only one that I've been dreamin' of
Maybe someday she will be all mine
I wanna tell her that I love her so
I thrill with her every touch
I need to tell her she's the only one I really love
Hey, hey... What can I do?
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
O Meu Amor
É tão forte... tão forte que me machuca. É tanto que me transborda, tão bom que temo deixar-me mal a sua falta. É todo dia, toda hora, todo tempo.
O meu amor é mais do que eu. Eu me curvo à sua grandeza, eu sou escrava. Com gosto, escrava do meu amor. O meu amor é tudo. É onde; é o quê; é como; é quem; é porquê vivo. O meu amor é meu exagero e é também o motivo de eu ser assim, tão exagerada.
O meu amor é meu erro. Mas é meu erro melhor calculado. O meu melhor erro. A minha própria falha bem-sucedida.
Ele é meu, o meu amor. Ninguém ama com ele, e eu me sinto bem com a sua presença. Eu o amo.
Eu não tenho vergonha do meu amor.
Não me entenda mal... eu não amo demais. Eu amo do meu jeito: eu amo o meu próprio amor.
O meu amor é mais do que eu. Eu me curvo à sua grandeza, eu sou escrava. Com gosto, escrava do meu amor. O meu amor é tudo. É onde; é o quê; é como; é quem; é porquê vivo. O meu amor é meu exagero e é também o motivo de eu ser assim, tão exagerada.
O meu amor é meu erro. Mas é meu erro melhor calculado. O meu melhor erro. A minha própria falha bem-sucedida.
Ele é meu, o meu amor. Ninguém ama com ele, e eu me sinto bem com a sua presença. Eu o amo.
Eu não tenho vergonha do meu amor.
Não me entenda mal... eu não amo demais. Eu amo do meu jeito: eu amo o meu próprio amor.
Frank
Chora ouvindo Moon River, chora. E pensa que nem mesmo o Frank pode te entender agora, porque ele já bateu as botas, darling.
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
Ela
Ela simplesmente existe.
Está lá, vivendo a vida dela, cultivando todo e qualquer aspecto de sua personalidade batida e previsível. Eu a odeio, e quando penso nisso sinto vontade de chorar. Não quero odiar ninguém, principalmente Ela. Ela é digna de piedade, e pena dela é o que eu devia sentir. Tudo é tão errado quando a vejo. Ela parece feliz, mas eu sei que anda triste. E que chora, como eu choro quando penso nela. Mas Ela não chora por mim. Chora por minha culpa.
Por minha culpa, um balde de água fria às três da madrugada. Por minha culpa, um beliscão no antebraço durante um sonho com as estrelas. Por minha culpa, o fim. A realidade acertou-a no peito, na cabeça e na boca do estômago. E eu peguei o arco. E eu armei a flecha.
Ela me odeia. Mas não quer me odiar porque ainda não me conhece. Então sangra, porque gosta. Sangrar é melhor do que a angústia de ferir, e Ela sabe. Grita do submundo que é minha culpa, enquanto morre eternamente num mar vermelho. Criaturas negras voam ao meu redor e todas dizem que é minha culpa, porque é. É minha culpa.
Eu a odeio, mas não gosto disso.
Dela eu descobri que também tenho pena. E isso me destrói.
Ela me tortura em troca de um sorriso amarelo que durará dez segundos.
Mas Ela gosta.
Está lá, vivendo a vida dela, cultivando todo e qualquer aspecto de sua personalidade batida e previsível. Eu a odeio, e quando penso nisso sinto vontade de chorar. Não quero odiar ninguém, principalmente Ela. Ela é digna de piedade, e pena dela é o que eu devia sentir. Tudo é tão errado quando a vejo. Ela parece feliz, mas eu sei que anda triste. E que chora, como eu choro quando penso nela. Mas Ela não chora por mim. Chora por minha culpa.
Por minha culpa, um balde de água fria às três da madrugada. Por minha culpa, um beliscão no antebraço durante um sonho com as estrelas. Por minha culpa, o fim. A realidade acertou-a no peito, na cabeça e na boca do estômago. E eu peguei o arco. E eu armei a flecha.
Ela me odeia. Mas não quer me odiar porque ainda não me conhece. Então sangra, porque gosta. Sangrar é melhor do que a angústia de ferir, e Ela sabe. Grita do submundo que é minha culpa, enquanto morre eternamente num mar vermelho. Criaturas negras voam ao meu redor e todas dizem que é minha culpa, porque é. É minha culpa.
Eu a odeio, mas não gosto disso.
Dela eu descobri que também tenho pena. E isso me destrói.
Ela me tortura em troca de um sorriso amarelo que durará dez segundos.
Mas Ela gosta.
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