Foi como acordei: sem saber.
O teto parece-me atraente ao olhar, com sua pureza de branco gelo. "Eu tenho que arrumar este quarto", penso.
"Tenho que arrumar esta vida."
Fecho os olhos. Que dor estranha... é o medo da dor, mais que a dor em si. Eu não sei se vou senti-la, eu não sei como vai ser.
É mais angústia e frio do que qualquer outra coisa.
"Você sabe?"
Eu perguntei... mas não estou querendo descobrir.
sábado, 23 de fevereiro de 2008
sábado, 26 de janeiro de 2008
Vez
Ah, quando foi que me afastei da cega felicidade? A pseudo-satisfação dos sentidos, o prazer de voar numa gaiola de grades invisíveis?
Quando que escapei da prisão de mim mesma e, então, finalmente me fui por inteiro, fui o que sempre estive destinada a ser?
Quando das amarras do controle mundano me soltei para encontrar-me num céu de possibilidades infinitas?
Quando?
Vejo que viver transpassa a existência simples e banal. Vejo que viver é muito mais do que desejar a vida.
Viver é... não sei o que é viver, Meu Deus!
Viver me parece apenas não ser isto: tudo que já tentei até agora.
Quando que escapei da prisão de mim mesma e, então, finalmente me fui por inteiro, fui o que sempre estive destinada a ser?
Quando das amarras do controle mundano me soltei para encontrar-me num céu de possibilidades infinitas?
Quando?
Vejo que viver transpassa a existência simples e banal. Vejo que viver é muito mais do que desejar a vida.
Viver é... não sei o que é viver, Meu Deus!
Viver me parece apenas não ser isto: tudo que já tentei até agora.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Perfeita
"Bata as asas, anjo."
Ela está perdida em um labirinto de vícios e virtudes, quando poderia acabar com tudo, sobrevoar seus obstáculos. Decidiu ser ordinária. Escolheu os desafios renegando seus dons, dons que a distinguem de tudo que quer ser: humana e imperfeita; normal.
Errante por um caminho incerto. Passa-se um, dois, três dias.
Mas ainda é um anjo, e suas asas pesam: "você é perfeita!"
Quatro, cinco; o anjo pára. Olha ao seu redor e vê-se entre quatro muros de pedra. Está presa. Afinal, o labirinto lhe reservou para agora o teste maior. Atordoa-se, e em um dos cantos se deixa cair, encostando a cabeça contra a pedra. Os seus olhos se fecham. Não há solução para alguém comum.
"Mas você é um anjo... Abra os olhos."
E acima dela um céu crepuscular sorri, estendendo-lhe um caminho de nuvens seguras.
É viver ou morrer, anjo.
Então bate as asas, ganha altura e voa em direção oeste: o pôr-do-sol.
Ela é perfeita.
Ela está perdida em um labirinto de vícios e virtudes, quando poderia acabar com tudo, sobrevoar seus obstáculos. Decidiu ser ordinária. Escolheu os desafios renegando seus dons, dons que a distinguem de tudo que quer ser: humana e imperfeita; normal.
Errante por um caminho incerto. Passa-se um, dois, três dias.
Mas ainda é um anjo, e suas asas pesam: "você é perfeita!"
Quatro, cinco; o anjo pára. Olha ao seu redor e vê-se entre quatro muros de pedra. Está presa. Afinal, o labirinto lhe reservou para agora o teste maior. Atordoa-se, e em um dos cantos se deixa cair, encostando a cabeça contra a pedra. Os seus olhos se fecham. Não há solução para alguém comum.
"Mas você é um anjo... Abra os olhos."
E acima dela um céu crepuscular sorri, estendendo-lhe um caminho de nuvens seguras.
É viver ou morrer, anjo.
Então bate as asas, ganha altura e voa em direção oeste: o pôr-do-sol.
Ela é perfeita.
Mistério
O mistério tem tudo. Tem tudo pelo simples fato de poder ser qualquer coisa.
Imagine um mistério: Uma incógnita. Um não saber de infinidades. Uma infinidade de soluções. Eis que o universo escolhe somente uma para que nela se aplique a verdade.
E quando você a encontra, meu caro... elementar que se sinta um Sherlock.
Imagine um mistério: Uma incógnita. Um não saber de infinidades. Uma infinidade de soluções. Eis que o universo escolhe somente uma para que nela se aplique a verdade.
E quando você a encontra, meu caro... elementar que se sinta um Sherlock.
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Pingüim, Hiena
Desengonça, pára, encara. Bate o bico e bate o pé. Deita de barriga e acabou: Pingüim te conquistou.
A Hiena ri, é peluda, come restos e ri.
Sério, quem você leva pra casa?
Hiena diz: Pingüim fede a peixe!
Pingüim diz: Hiena fede.
Hiena: Pingüim tem uma bicanca horrorosa!
Pingüim: Hiena é horrorosa.
H: Pingüim... Pingüim é bonito.
P: Hiena é fei... Ahm?
H: Pingüim é seu.
P: Tá legal... Eu sou seu! Viu? Ganhamos!
Você: Mas eu só queria uma hiena...
A Hiena ri, é peluda, come restos e ri.
Sério, quem você leva pra casa?
Hiena diz: Pingüim fede a peixe!
Pingüim diz: Hiena fede.
Hiena: Pingüim tem uma bicanca horrorosa!
Pingüim: Hiena é horrorosa.
H: Pingüim... Pingüim é bonito.
P: Hiena é fei... Ahm?
H: Pingüim é seu.
P: Tá legal... Eu sou seu! Viu? Ganhamos!
Você: Mas eu só queria uma hiena...
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
Ferro
Causou-me uma dor... dor que pesou na face, nos olhos. Que tremeu as mãos, juntou-me os dedos em aflitos estalares. Dor daquilo que não se esperava.
Apenas uma surpresa. Mas tudo sempre fora tão previsível! Foi como deparar-me com espinho na rosa tratada: tão pequeno e me incomoda; tão pouco, tão nada... e me corta!
Como pode? Eu sou de ferro, quase morta.
Fez-me esquecer que não se rima em prosa... e que mentira só combina com o nariz grande do Pinocchio.
Pelo menos, como já dito (ou mentido), sou de ferro, não madeira.
Apenas uma surpresa. Mas tudo sempre fora tão previsível! Foi como deparar-me com espinho na rosa tratada: tão pequeno e me incomoda; tão pouco, tão nada... e me corta!
Como pode? Eu sou de ferro, quase morta.
Fez-me esquecer que não se rima em prosa... e que mentira só combina com o nariz grande do Pinocchio.
Pelo menos, como já dito (ou mentido), sou de ferro, não madeira.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Consciência
E é assim: Paf!
Não sou mais interessante.
"E daí?"
Silêncio! Não sou mais interessante.
"É que já se sabe tudo sobre você, entende?"
Não, não mesmo. Não entendo.
Talvez...
Vou inovar, então.
Surpreender.
Ser nova.
"Ser outra."
Ser outra?
"É."
Não! Por que sempre me diz isso?
"Eu lá sei?"
Esquece, vou arranjar consciência mais interessante.
Não sou mais interessante.
"E daí?"
Silêncio! Não sou mais interessante.
"É que já se sabe tudo sobre você, entende?"
Não, não mesmo. Não entendo.
Talvez...
Vou inovar, então.
Surpreender.
Ser nova.
"Ser outra."
Ser outra?
"É."
Não! Por que sempre me diz isso?
"Eu lá sei?"
Esquece, vou arranjar consciência mais interessante.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
O Gosto
Um gosto; ao pensar neles me vem o mesmo gosto, sempre. Uma ânsia, um descompasso, uma impressão. Uma marca de fogo em minha carne do pescoço. Um baque, um toque, uma chamada. Um estrondo, um empurrão.
Uma coceira na garganta. E a tosse seca, seca.
O gosto.
Não provei do que provaram: não provei deles.
Mas ele vem, o gosto. E sobe amargo, vem do peito; e sai azedo, boca afora...
Sai?
Ele sempre volta.
Uma coceira na garganta. E a tosse seca, seca.
O gosto.
Não provei do que provaram: não provei deles.
Mas ele vem, o gosto. E sobe amargo, vem do peito; e sai azedo, boca afora...
Sai?
Ele sempre volta.
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Aprendendo
Difícil é conformar-se com o inevitável. A maldita sensação que vem do peito e sobe aos olhos em raro rio d'água salgada. E escorrerá até o fim do dia; somente outro projeto falho de viver.
O escuro do vazio não paga meus erros de aprendiz.
O escuro do vazio não paga meus erros de aprendiz.
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
What can I say?
Wanna tell you about the girl I love
My she looks so fine
She's the only one that I've been dreamin' of
Maybe someday she will be all mine
I wanna tell her that I love her so
I thrill with her every touch
I need to tell her she's the only one I really love
Hey, hey... What can I do?
My she looks so fine
She's the only one that I've been dreamin' of
Maybe someday she will be all mine
I wanna tell her that I love her so
I thrill with her every touch
I need to tell her she's the only one I really love
Hey, hey... What can I do?
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
O Meu Amor
É tão forte... tão forte que me machuca. É tanto que me transborda, tão bom que temo deixar-me mal a sua falta. É todo dia, toda hora, todo tempo.
O meu amor é mais do que eu. Eu me curvo à sua grandeza, eu sou escrava. Com gosto, escrava do meu amor. O meu amor é tudo. É onde; é o quê; é como; é quem; é porquê vivo. O meu amor é meu exagero e é também o motivo de eu ser assim, tão exagerada.
O meu amor é meu erro. Mas é meu erro melhor calculado. O meu melhor erro. A minha própria falha bem-sucedida.
Ele é meu, o meu amor. Ninguém ama com ele, e eu me sinto bem com a sua presença. Eu o amo.
Eu não tenho vergonha do meu amor.
Não me entenda mal... eu não amo demais. Eu amo do meu jeito: eu amo o meu próprio amor.
O meu amor é mais do que eu. Eu me curvo à sua grandeza, eu sou escrava. Com gosto, escrava do meu amor. O meu amor é tudo. É onde; é o quê; é como; é quem; é porquê vivo. O meu amor é meu exagero e é também o motivo de eu ser assim, tão exagerada.
O meu amor é meu erro. Mas é meu erro melhor calculado. O meu melhor erro. A minha própria falha bem-sucedida.
Ele é meu, o meu amor. Ninguém ama com ele, e eu me sinto bem com a sua presença. Eu o amo.
Eu não tenho vergonha do meu amor.
Não me entenda mal... eu não amo demais. Eu amo do meu jeito: eu amo o meu próprio amor.
Frank
Chora ouvindo Moon River, chora. E pensa que nem mesmo o Frank pode te entender agora, porque ele já bateu as botas, darling.
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
Ela
Ela simplesmente existe.
Está lá, vivendo a vida dela, cultivando todo e qualquer aspecto de sua personalidade batida e previsível. Eu a odeio, e quando penso nisso sinto vontade de chorar. Não quero odiar ninguém, principalmente Ela. Ela é digna de piedade, e pena dela é o que eu devia sentir. Tudo é tão errado quando a vejo. Ela parece feliz, mas eu sei que anda triste. E que chora, como eu choro quando penso nela. Mas Ela não chora por mim. Chora por minha culpa.
Por minha culpa, um balde de água fria às três da madrugada. Por minha culpa, um beliscão no antebraço durante um sonho com as estrelas. Por minha culpa, o fim. A realidade acertou-a no peito, na cabeça e na boca do estômago. E eu peguei o arco. E eu armei a flecha.
Ela me odeia. Mas não quer me odiar porque ainda não me conhece. Então sangra, porque gosta. Sangrar é melhor do que a angústia de ferir, e Ela sabe. Grita do submundo que é minha culpa, enquanto morre eternamente num mar vermelho. Criaturas negras voam ao meu redor e todas dizem que é minha culpa, porque é. É minha culpa.
Eu a odeio, mas não gosto disso.
Dela eu descobri que também tenho pena. E isso me destrói.
Ela me tortura em troca de um sorriso amarelo que durará dez segundos.
Mas Ela gosta.
Está lá, vivendo a vida dela, cultivando todo e qualquer aspecto de sua personalidade batida e previsível. Eu a odeio, e quando penso nisso sinto vontade de chorar. Não quero odiar ninguém, principalmente Ela. Ela é digna de piedade, e pena dela é o que eu devia sentir. Tudo é tão errado quando a vejo. Ela parece feliz, mas eu sei que anda triste. E que chora, como eu choro quando penso nela. Mas Ela não chora por mim. Chora por minha culpa.
Por minha culpa, um balde de água fria às três da madrugada. Por minha culpa, um beliscão no antebraço durante um sonho com as estrelas. Por minha culpa, o fim. A realidade acertou-a no peito, na cabeça e na boca do estômago. E eu peguei o arco. E eu armei a flecha.
Ela me odeia. Mas não quer me odiar porque ainda não me conhece. Então sangra, porque gosta. Sangrar é melhor do que a angústia de ferir, e Ela sabe. Grita do submundo que é minha culpa, enquanto morre eternamente num mar vermelho. Criaturas negras voam ao meu redor e todas dizem que é minha culpa, porque é. É minha culpa.
Eu a odeio, mas não gosto disso.
Dela eu descobri que também tenho pena. E isso me destrói.
Ela me tortura em troca de um sorriso amarelo que durará dez segundos.
Mas Ela gosta.
domingo, 11 de novembro de 2007
A Busca do Mundo em Technicolor
Mandou-me fazer o que eu não queria e me chutou para fora de um sonho bom. Não gostei. Não gostei mesmo, vou gostar do que não me adianta?
Andei pela rua arrastando os pés, a mão no bolso. Parecia uma tragicômica personagem de cinema mudo. Vagava num mundo sem cor, num mundo sem a voz do bem-te-vi. Nada bem me via. Preto e branco, preto e branco. Nada mais.
Vejo meus lábios se moverem em um lamento e eis que na tela, em letras caprichadas, surge: "A vida? A vida é a dor de quem ama!"
A vida é a dor de quem ama... e se joga na cama, sem o prazer de ser amado.
Andei pela rua arrastando os pés, a mão no bolso. Parecia uma tragicômica personagem de cinema mudo. Vagava num mundo sem cor, num mundo sem a voz do bem-te-vi. Nada bem me via. Preto e branco, preto e branco. Nada mais.
Vejo meus lábios se moverem em um lamento e eis que na tela, em letras caprichadas, surge: "A vida? A vida é a dor de quem ama!"
A vida é a dor de quem ama... e se joga na cama, sem o prazer de ser amado.
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Coisas
Hoje tive algo bom dentro de mim. Era uma vontade, era uma música, era um sentimento, era uma coisa. Era demais!
Explodiu no interior e me iluminou como lanterna de festa junina.
Senti até os olhos mais claros! Daí eu pude ver melhor: eu vi um urso comer bafo de criança capeta. Isso foi no céu.
Mas eu não olhei pra cima, não.
O urso era branco, mas eu não quero que ele seja polar. No Pólo Norte faz muito frio. Eu quero que o Urso-Come-Bafo more num país tropical. Mas não no Brasil, porque aqui tem muita sujeira e ele ia acabar ficando cinza. Eu imagino o Urso-Come-Bafo comendo bafo na beira da praia, de camisa estampada e shorts coloridos. Será que na beira da praia faz muito calor para um urso? Mas ele come bafos... Bafos geralmente são refrescantes.
É por isso que eu uso Colgate, deixa o meu hálito refrescante pra ajudar o Urso-Come-Bafo a não morrer de calor na beira da praia.
Explodiu no interior e me iluminou como lanterna de festa junina.
Senti até os olhos mais claros! Daí eu pude ver melhor: eu vi um urso comer bafo de criança capeta. Isso foi no céu.
Mas eu não olhei pra cima, não.
O urso era branco, mas eu não quero que ele seja polar. No Pólo Norte faz muito frio. Eu quero que o Urso-Come-Bafo more num país tropical. Mas não no Brasil, porque aqui tem muita sujeira e ele ia acabar ficando cinza. Eu imagino o Urso-Come-Bafo comendo bafo na beira da praia, de camisa estampada e shorts coloridos. Será que na beira da praia faz muito calor para um urso? Mas ele come bafos... Bafos geralmente são refrescantes.
É por isso que eu uso Colgate, deixa o meu hálito refrescante pra ajudar o Urso-Come-Bafo a não morrer de calor na beira da praia.
sábado, 3 de novembro de 2007
Pane Moral
Eu tenho fixação pelas pessoas.
Reparo em cada traço da personalidade de todos que estão à minha volta. Chego a perseguir, espionar. E estou sempre lá, procurando algo a mais. Eu quero saber tudo sobre todos, eu preciso ser um pouco dos que me cercam. Algo que não seja meu, que não me seja. Já me encontrei e não sou suficiente. Eu não correspondo às expectativas. Eu busco o ideal dentro da pele que não me recobre.
Eu me interesso? Eu me vicio.
Então torno-me dependente: eu sou dependente da peculiaridade alheia. Em mim se contorce algo que grita, grita pelos mistérios do outro. Eu quero o outro, somente o outro me satisfaz.
Eu não me basto. O que tenho, o que sou, o que faço, o que crio... nada é de fato o que eu quero. Nada me agrada.
E nada agrada a ninguém.
Eu quero ser invejada.
Dê-me a perfeição do que não me pertence, e então serei completa.
Dê-me alguém para tomar estas palavras pensando em mim, e então não serão mais minhas palavras.
Reparo em cada traço da personalidade de todos que estão à minha volta. Chego a perseguir, espionar. E estou sempre lá, procurando algo a mais. Eu quero saber tudo sobre todos, eu preciso ser um pouco dos que me cercam. Algo que não seja meu, que não me seja. Já me encontrei e não sou suficiente. Eu não correspondo às expectativas. Eu busco o ideal dentro da pele que não me recobre.
Eu me interesso? Eu me vicio.
Então torno-me dependente: eu sou dependente da peculiaridade alheia. Em mim se contorce algo que grita, grita pelos mistérios do outro. Eu quero o outro, somente o outro me satisfaz.
Eu não me basto. O que tenho, o que sou, o que faço, o que crio... nada é de fato o que eu quero. Nada me agrada.
E nada agrada a ninguém.
Eu quero ser invejada.
Dê-me a perfeição do que não me pertence, e então serei completa.
Dê-me alguém para tomar estas palavras pensando em mim, e então não serão mais minhas palavras.
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
Idiota
Eu tô muito fula da vida, ok?
Saco, saco, saco!
Merda.
Aaaah, que droga!
Eu só quero parar de ser tão otária...
Só isso, mesmo.
Cabô.
Tchau!
Saco, saco, saco!
Merda.
Aaaah, que droga!
Eu só quero parar de ser tão otária...
Só isso, mesmo.
Cabô.
Tchau!
terça-feira, 30 de outubro de 2007
O Diabinho
Ele ficava sentado no meu ombro esquerdo. Sempre balançava as pernas de maneira infantil e despreocupada, encarando os próprios pés vermelhos. Era o meu diabinho. Ele ria demais. E me dizia cada coisa! Pra ele era tudo muito engraçado. Mas o diabinho me deixava nervosa. Às vezes ele me botava bobagem na cabeça... tinha uma visão muito desconfiada da vida para uma simples figura imaginária. Além disso, sua opinião era por demais independente da minha. Então, depois de algum tempo, passei a acreditar que ele de fato existia. E por que não? Afinal eu o sentia, eu o ouvia, eu podia vê-lo. O diabinho era tão real quanto eu.
Uma vez ele me falou tanto caso chatinho ao ouvido que gritei com ele. Pedi que sumisse. Pedi, não. Mandei, ora. Era meu diabinho, não era? Pois que podia fazer com ele o que quisesse.
Enfim... Mandei que sumisse. E não é que me obedeceu? Sumiu. Não o vi por tanto tempo que até me esqueci do pequeno. Não me fez falta o dito cujo por alguns anos.
Até que um dia... faltou-me maldade. Enganaram-me, veja você. A mim, que sempre tivera um diabinho. E então me bateu que talvez não o tivesse mais.
Pensei: Será que meu capetinha encontrou ombro melhor no qual se empoleirar? Estaria resmungando besteiras aos ouvidos de outro alguém? Como pude ser tão arrogante a ponto de achar que algo tão recheado de malícia poderia vir de mim e a mim somente servir?
Nossa, quantos pensamentos desconfiados.
Desconfiei.
E nessa hora olhei para meu lado esquerdo.
Os olhos negros do safadinho brilhavam, me fitando. As mãos, na frente da boca, tentavam sem sucesso esconder os dentes mais pontiagudos de um sinistro sorriso.
Sabia que estava de volta, a minha pequena malícia.
E descobri que nunca me abandonara... só me pregara uma peça.
Uma vez ele me falou tanto caso chatinho ao ouvido que gritei com ele. Pedi que sumisse. Pedi, não. Mandei, ora. Era meu diabinho, não era? Pois que podia fazer com ele o que quisesse.
Enfim... Mandei que sumisse. E não é que me obedeceu? Sumiu. Não o vi por tanto tempo que até me esqueci do pequeno. Não me fez falta o dito cujo por alguns anos.
Até que um dia... faltou-me maldade. Enganaram-me, veja você. A mim, que sempre tivera um diabinho. E então me bateu que talvez não o tivesse mais.
Pensei: Será que meu capetinha encontrou ombro melhor no qual se empoleirar? Estaria resmungando besteiras aos ouvidos de outro alguém? Como pude ser tão arrogante a ponto de achar que algo tão recheado de malícia poderia vir de mim e a mim somente servir?
Nossa, quantos pensamentos desconfiados.
Desconfiei.
E nessa hora olhei para meu lado esquerdo.
Os olhos negros do safadinho brilhavam, me fitando. As mãos, na frente da boca, tentavam sem sucesso esconder os dentes mais pontiagudos de um sinistro sorriso.
Sabia que estava de volta, a minha pequena malícia.
E descobri que nunca me abandonara... só me pregara uma peça.
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
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