Foi uma palavra não dita
Maldita!
Uma palavra que não foi.
Faltou-lhe sair, libertar-se,
Faltou-lhe existir;
Faltou.
E nada se ouviu,
Pois não houve nada!
Talvez agora eu saiba:
Maior impacto tem o discurso escondido
Que não viveu;
Que eu não vivi;
Que não me veio.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
terça-feira, 14 de abril de 2009
No Caminho
Esqueci-me no teu peito há tanto tempo, no entanto sequer notei a minha ausência. Ainda moro em ti, e ainda morro. Morro a cada segundo separada de mim mesma e vivo a angústia de não te ter por perto. Existo no limbo de nós dois, entre a minha sanidade e o teu ser tangível. Estou presa entre passado e futuro, enquanto o presente eu ignoro.
Não sei aonde quero chegar, portanto não dou passo algum. Apenas mantenho a ligação ao sentimento morto que nós demos à luz, e vez ou outra enxergo as suas correntes impedindo-me o movimento, seja adiante ou de recuo. Fico apenas parada, pois me atenho à estrada que nunca terminaremos juntos.
Talvez eu pense demais em ti, talvez te sinta de menos. Talvez eu sinta a tua falta no caminho da minha vida: cuido que nunca soube que direção tomar antes de sermos dois... cuido que nunca fui antes de sermos.
E é triste sentir-me impotente diante das possibilidades. Imagino-te cruel, então. Suaviza a dor de não querer amar-te ainda amando. És meu carrasco, agora que me convém. E tu serás carrasco até que eu possa me libertar da tua sombra...
Porque vejo finalmente que há somente a tua sombra comigo. Tu mesmo foste embora há tempos, mudaste o destino repentinamente. Abandonaste o que criamos. Abandonaste-me.
Ainda te quero no meio do meu caminho... quero tropeçar em tua presença.
Aparece!
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Mentira feita
Revolto-me com a tua cara lavada, com tuas mentiras, peças, dramas. Enoja-me esse vício de menosprezar a perspicácia dos outros seres viventes, a tua mania de copiar as virtudes que não te pertencem, a insistência em reinventar a cada cinco segundos todo e qualquer aspecto de tua vida. Odeio-te em todo o teu cinismo, apenas nele, e percebo sempre que engana a ti mesma. Eu posso ler-te como um livro aberto, preto no branco. Eu sei quem tu és.
Enfim cansei-me da tua falta de sinceridade, da tua dissimulação. Logo eu, que gosto tanto de ti! Gosto mesmo, eu te amo. Atribuo-te um valor absurdo, de preciosidade, tesouro. Tu és para mim inigualável, porque te enxergo deveras. Mas não posso dizer mais que em ti confio...
E peço:
Não teças essa teia inescrupulosa. Vive no chão, vive. Vive a tua vida! Essa da qual tu foges a cada vislumbre de liberdade. Imploro-te que não mintas mais...
Porque eu já sei.
Enfim cansei-me da tua falta de sinceridade, da tua dissimulação. Logo eu, que gosto tanto de ti! Gosto mesmo, eu te amo. Atribuo-te um valor absurdo, de preciosidade, tesouro. Tu és para mim inigualável, porque te enxergo deveras. Mas não posso dizer mais que em ti confio...
E peço:
Não teças essa teia inescrupulosa. Vive no chão, vive. Vive a tua vida! Essa da qual tu foges a cada vislumbre de liberdade. Imploro-te que não mintas mais...
Porque eu já sei.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Omegle
Stranger: Hello
You: Hallo!
Stranger: How u?
You: Wie geht's dir?
You: Wo wohnst du?
Stranger: Sorry, only speak English
You: Seulement anglais?
You: Isso não é bom...
Your conversational partner has disconnected.
*
You: Boo!
Stranger: hi
Stranger: q
You: I'm dead
You have disconnected
*
Stranger: 41
You: 41?
You: Is that a game?
You: Ok... I got it...
Stranger: yeah
You: 42!
Stranger: i'm winner
Your conversational partner has disconnected.
*
Stranger: hi!
You: Quem és tu?
Stranger: what, is that french?
You: Eu posso entender-te, mas a ti sobra a ignorância
Stranger: spanish?
You: Quem é o subdesenvolvido agora?
:B
You: Hallo!
Stranger: How u?
You: Wie geht's dir?
You: Wo wohnst du?
Stranger: Sorry, only speak English
You: Seulement anglais?
You: Isso não é bom...
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*
You: Boo!
Stranger: hi
Stranger: q
You: I'm dead
You have disconnected
*
Stranger: 41
You: 41?
You: Is that a game?
You: Ok... I got it...
Stranger: yeah
You: 42!
Stranger: i'm winner
Your conversational partner has disconnected.
*
Stranger: hi!
You: Quem és tu?
Stranger: what, is that french?
You: Eu posso entender-te, mas a ti sobra a ignorância
Stranger: spanish?
You: Quem é o subdesenvolvido agora?
:B
sexta-feira, 27 de março de 2009
Boneca
Fiz-me inteira em porcelana, há tempos.
De propósito...
Eu quis, então virei boneca.
Pintei meu rosto,
Trancei os cabelos,
Fechei a boca,
Emudeci.
Vivi estátua
E não vivi:
Era o enfeite da sua mesa de cabeceira
E assistia a seu despertar
Calada, quieta,
Como eu podia.
Então de você me enraiveci,
Pois levantava e sumia!
(Eu ainda me pergunto aonde ia)
Mas ontem, meu rapaz,
Chegou o dia.
E eu ecoei um surdo "basta!" em minhas vísceras.
Espiei o precipício do seu móvel,
Atirei-me ao chão a meu modo inverossímil,
Explodi em mil pedaços de carne e osso.
Agora acho que acordei humana.
De propósito...
Eu quis, então virei boneca.
Pintei meu rosto,
Trancei os cabelos,
Fechei a boca,
Emudeci.
Vivi estátua
E não vivi:
Era o enfeite da sua mesa de cabeceira
E assistia a seu despertar
Calada, quieta,
Como eu podia.
Então de você me enraiveci,
Pois levantava e sumia!
(Eu ainda me pergunto aonde ia)
Mas ontem, meu rapaz,
Chegou o dia.
E eu ecoei um surdo "basta!" em minhas vísceras.
Espiei o precipício do seu móvel,
Atirei-me ao chão a meu modo inverossímil,
Explodi em mil pedaços de carne e osso.
Agora acho que acordei humana.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Resposta
Siempre que te pregunto
Que, cuándo, cómo y dónde
Tú siempre me respondes
Quizás, quizás, quizás
Que, cuándo, cómo y dónde
Tú siempre me respondes
Quizás, quizás, quizás
Y así pasan los días
Y yo, desesperando
Y tú, tú contestando
Quizás, quizás, quizás
Y yo, desesperando
Y tú, tú contestando
Quizás, quizás, quizás
Estás perdiendo el tiempo
Pensando, pensando
Por lo que más tú quieras
¿Hasta cuándo? ¿Hasta cuándo?
Pensando, pensando
Por lo que más tú quieras
¿Hasta cuándo? ¿Hasta cuándo?
Entre nós é sempre talvez, e o que há de concreto mesmo é o nunca. Vivermo-nos seria bom de quando em vez; preciso da tua influência na minha rotina, das tuas palavras formando a minha voz. Adivinhar as tuas reações é meu passatempo mais querido, e constantemente me pego pensando o que farias tu em meu lugar. Quando estou aqui e estás lá, e quero falar-te em pensamentos, finjo que me respondes seco da distância, mas não me importo: tua voz acalma-me até quando vinda de mim mesma, e eu durmo tranquila às noites vazias.
Mas estes dias fizeram-me outra. Alguém distante. Distante de ti, talvez até de si mesma. Não me sinto confortada apenas te imaginando, e desconfio que me perdi da tua essência. Não sei mais quem és tu na minha vida, e então temo por nós dois e por nossos caminhos. Esta falta de ti reprogramou minhas tendências e eu vivo outra vida: uma vida isenta da tua consciência. Eu vivo sozinha agora, e nem mesmo a tua invenção me acompanha.
Eu sinto a tua falta como não te sinto mais. E ainda imagino-te sempre incongruente com o fatual. Agora quero mesmo a tua presença, o que tu tens de tangível. Preciso de teus dedos, teus cabelos, braços, unhas, lábios: o teu corpo. Quero a tua voz roçando a minha pele e condicionando a minha resposta. Um sim ou um não. Deixemos "talvez" para nunca.
domingo, 25 de janeiro de 2009
Amanhã
O hoje separa-me de ti
E tua ausência governa o meu dia,
Um dia inteiro:
Vinte e quatro horas.
O relógio, finalmente,
Substituiu o calendário;
E espero um amanhã
Em nome de todo um mês
Passado.
Amanhã tu estás aqui
E o amanhã já está aqui.
sábado, 10 de janeiro de 2009
Elisa
Eu gritei aos ouvidos surdos da noite, e meu peito apertou meu coração. Corria como um débil animal perseguido, podia eu sentir meus olhos saltando das órbitas; e o medo. O medo me envolvia aos poucos, justo, como uma coberta grossa. Porém eu sentia frio. E os meus temores dificultavam meus passos: "a iminência, a iminência", pensei. Eu estava entregue ao predador, eu era a caça.
Sua voz de cão ecoou por quarteirões, e percebi que estávamos, de fato, sozinhos. Ele estava bêbado, e aquele estado alterado de consciência o transformara em fera horrenda: os cabelos emaranhados, oleosos de todo o mal do mundo, e o hálito fervente à sede de sangue. Pensei na vida que gerava no meu ventre, nos aspectos que os dois partilhariam. Temi ter o diabo enrolado em minha tripas, alimentando-se de minha energia vital, e tornei-me fraca simplesmente à ideia. Tropecei, então, nos paralelepípedos da rua deserta.
Não quis imaginar meu corpo roliço de prenhe caído no chão, que cena patética deveria ser aquela. Senti uma pontada excruciante na barriga e temi, agora, somente pela vida do meu filho. Refleti sobre a minha infinita estupidez, sobre o risco que eu corria por ter arrancado porta afora de casa daquela maneira. Acaso permanecesse submissa no mesmo local, a surra teria sido leve. Mas fugir despertara nele a fome. Eu captava o ódio nas palavras dele, a loucura. Chorei, estirada no chão, a dor em meu ventre se agravando a cada lágrima. Eu ouvi seus passos, percebi que se aproximava e pude divisar finalmente, no escuro, o contorno de suas botas.
Urrei em decorrência do que veio a seguir: chutou-me o animal umas vinte vezes, desferindo golpes por todo o meu corpo. Acertou-me no rosto, em minha boca, e o jorro de fluido vermelho impediu-me de continuar gritando. Senti que algo mais se esvaía por entre minhas pernas, e morri um pouco ao constatar que era sangue. Quando percebeu que eu havia parado de chorar, carregou-me para a calçada e deixou-me à própria sorte. Tive a impressão de que uma vida se passara antes que eu perdesse a consciência, mas a lua no céu ainda era cheia.
Urrei em decorrência do que veio a seguir: chutou-me o animal umas vinte vezes, desferindo golpes por todo o meu corpo. Acertou-me no rosto, em minha boca, e o jorro de fluido vermelho impediu-me de continuar gritando. Senti que algo mais se esvaía por entre minhas pernas, e morri um pouco ao constatar que era sangue. Quando percebeu que eu havia parado de chorar, carregou-me para a calçada e deixou-me à própria sorte. Tive a impressão de que uma vida se passara antes que eu perdesse a consciência, mas a lua no céu ainda era cheia.
Ó, Deus; e vós fizestes uma Elisa de mim.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Viagens e Improviso
Para os dois:
De tua boca, quis por vezes ter ouvido outras palavras,
Tu sabes que me marca a cada sílaba;
De teus olhos, quis ter surpreendido algum sorriso,
Estás ciente do desafio que me são teus olhares;
De teus braços, quis ter arrancado mais um abraço,
Apenas um abraço a mais, tu sabes;
De teu corpo, quis que ficasse onde pertence, comigo,
Tu bem estás alerta de que de ti preciso.
*
Eu fantasio encontrar-te de improviso num dos meus vãos de vida. Até agora vivi conforme esta maçante ideia predeterminada de pertencermos, os dois, a um só momento. Quero um momento novo, então. Eu aceito o risco do improviso, almejo participar desta cena. Quando compartilhares do mesmo desejo, não hesites, não hesites em procurar-me.
Eu espero.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Sombra
Aquela sombra no canto do quarto me persegue. Por todos os quartos e todos os cantos. Incomoda-me, é claro, simplesmente por não ser minha. Não sou eu. Acompanha-me, entretanto, a mim aderida como um apêndice, enquanto um paradoxo gira em torno de um vulto impreciso: não faz parte de mim, mas comporta-se como prolongamento de mim mesma.
O que é um canto escuro do meu quarto? Eu não sei.
Aquela sombra no corredor me perturba. Ela me encara; existe. Sólida como os meus temores, vaga como meus pesadelos: forte e intocável. Onipresente. Digo que não sou eu, não sou. Porque eu não me sou estranha, e não me sôo perigosa. Acaso qualquer um dos meus aspectos me escape, sei que, ao menos, sou capaz de identificá-lo. Eu não me perderia assim.
O que é que vive nos meus corredores? Eu não sou.
Aquela sombra acima da minha cama me tira o sono. Não consigo levantar os olhos, ver. Não quero ver mais, porque enxergar implica perceber sua existência constante e horrível. A essência dos meus medos tornou-se um vulto, e retorno submissa aos meus sete anos. As noites são impossíveis, solitárias, eternas. À noite eu sou uma criança.
O que é que flutua acima dos meus sonhos? Eu não quero saber.
Eu quero acender a luz, quero ascender à luz.
O resto é resto: apêndice.
O que é um canto escuro do meu quarto? Eu não sei.
Aquela sombra no corredor me perturba. Ela me encara; existe. Sólida como os meus temores, vaga como meus pesadelos: forte e intocável. Onipresente. Digo que não sou eu, não sou. Porque eu não me sou estranha, e não me sôo perigosa. Acaso qualquer um dos meus aspectos me escape, sei que, ao menos, sou capaz de identificá-lo. Eu não me perderia assim.
O que é que vive nos meus corredores? Eu não sou.
Aquela sombra acima da minha cama me tira o sono. Não consigo levantar os olhos, ver. Não quero ver mais, porque enxergar implica perceber sua existência constante e horrível. A essência dos meus medos tornou-se um vulto, e retorno submissa aos meus sete anos. As noites são impossíveis, solitárias, eternas. À noite eu sou uma criança.
O que é que flutua acima dos meus sonhos? Eu não quero saber.
Eu quero acender a luz, quero ascender à luz.
O resto é resto: apêndice.
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Peças do Eu
Let me welcome you ladies and gentlemen
I would like to say hello
Are you ready for some entertainment?
Are you ready for a show?
Gonna rock, gonna roll you
Get you dancing in the aisles
Jazz you, razzmatazz you
With a little bit of style
C'mon, let me entertain you!
I would like to say hello
Are you ready for some entertainment?
Are you ready for a show?
Gonna rock, gonna roll you
Get you dancing in the aisles
Jazz you, razzmatazz you
With a little bit of style
C'mon, let me entertain you!
Gosto de transmutar entre vítima, vilã e heroína. Centrar-me no palco da minha vida, do modo que melhor me convier. Esconder-me na coxia quando a platéia estiver insatisfeita. Mudar o figurino, a maquiagem e a expressão, de acordo com cada peça de humor, cada musical, cada drama. Prefiro assumir a produção, direção, escolha do elenco e até mesmo a iluminação a ser empregada apenas, e estar à disposição da terceira pessoa. Aprecio a função dos coadjuvantes do meu teatro, admitindo, porém, meu egoísmo ao encará-los todos assim: coadjuvantes... enquanto a estrela maior brilha em meu nome, e mesmo o Sol curva-se à minha grandeza celeste.
Enquanto "Eu" é o nome que ofusca todos os outros, o nome em todas as bocas. O nome que é meu.
"Eu". Soa bem.
Eu, atriz da realidade. Pretensões a parte.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Pedra (Você In Natura)
Fria, dura,
Estática
Rocha.
Rígida, rija,
Corrija-me.
Seja acertando o meu corpo
Ou errando a minha alma,
Machucando o coração.
Estática
Rocha.
Rígida, rija,
Corrija-me.
Seja acertando o meu corpo
Ou errando a minha alma,
Machucando o coração.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Antes e Depois
Por que a impressão da tua passagem
Dividiu a minha existência
Em duas?
A certeza de tua presença
E a esperança da tua companhia.
O calor do teu abraço
E a frieza mórbida da tua tez.
Os dias
E os dias.
Como, a partir do fim,
Ensaio o primeiro passo em direção à vida?
Quero recriar-me toda:
Começar do zero.
Juntar-me a mim mesma de novo.
Quero o pretérito
No presente.
Bate de frente minha vontade
Com algo chamado realidade.
E afastam-se cada vez mais
Minhas partes.
Dividiu a minha existência
Em duas?
A certeza de tua presença
E a esperança da tua companhia.
O calor do teu abraço
E a frieza mórbida da tua tez.
Os dias
E os dias.
Como, a partir do fim,
Ensaio o primeiro passo em direção à vida?
Quero recriar-me toda:
Começar do zero.
Juntar-me a mim mesma de novo.
Quero o pretérito
No presente.
Bate de frente minha vontade
Com algo chamado realidade.
E afastam-se cada vez mais
Minhas partes.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Seu Pandeiro, o Padeiro
Corre o tempo, e eu só desejei que ele parasse de vez. Que congelasse, nos meu cinco anos de brincos de pressão da vovó e pique-esconde com o Seu Pandeiro, o Padeiro. A idade em que eu ainda respeitava as palavras-cruzadas do vovô, uns dois dias antes de assistir à Linha Direta e descobrir quão frágil poderia ser a vida. Antes de ter medo até de faca de cozinha, e antes daquela noite de estômago revirado porque, mãe, eu não quero morrer, não.
Depois daquele dia passei a ter uma sensação muito estranha. Como se o mundo fosse pequeno demais para mim e, ao mesmo tempo, muito maior que a imagem que fizera dele até então. Mas não é um pensamento, é uma dor-de-cabeça. Que vem em ondas geladas no momento e de vez em quando. Porque ainda sinto isso algumas noites, quando não consigo dormir. É como se eu não tivesse corpo, só uma prova de mortalidade. E medo de mim mesma desiludida. O chão se abriu debaixo de mim junto com os meus olhos, algo assim. Foi difícil crescer.
Ainda é.
Seu Pandeiro, eu sempre neguei teu pão. Volta logo, que só agora percebi que tenho fome...
-
Dedicado a João Salim Miguel.
"Deus é gracioso, perfeito, são. Quem é como Deus?"
Depois daquele dia passei a ter uma sensação muito estranha. Como se o mundo fosse pequeno demais para mim e, ao mesmo tempo, muito maior que a imagem que fizera dele até então. Mas não é um pensamento, é uma dor-de-cabeça. Que vem em ondas geladas no momento e de vez em quando. Porque ainda sinto isso algumas noites, quando não consigo dormir. É como se eu não tivesse corpo, só uma prova de mortalidade. E medo de mim mesma desiludida. O chão se abriu debaixo de mim junto com os meus olhos, algo assim. Foi difícil crescer.
Ainda é.
Seu Pandeiro, eu sempre neguei teu pão. Volta logo, que só agora percebi que tenho fome...
-
Dedicado a João Salim Miguel.
"Deus é gracioso, perfeito, são. Quem é como Deus?"
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Fantástico
Caprichoso, extravagante, incrível, extraordinário, prodigioso: só existente na fantasia ou imaginação.
Céu e mar são para mim um só azul. Não existo a partir da linha do possível. Para quê, afinal? A tua raça é velha e já viu de tudo. Exceto o feérico bioma do além, o incandescente prazer do deslumbramento, o mistério das suposições livres, a realização do irrealizável. O Fantástico.
Sou o mais profundo do teu ser recalcado por humanidade. Encerraste-me na mesma gruta onde vivem teus opróbrios, e acreditas que sou digno de tais companhias. Talvez até penses em mim como pecado.
Tanto faz, azar o teu.
Porque, mesmo preso, sou livre, porque sou impossível, porque posso fazer qualquer coisa. E tudo. E nada. Depende.
Meu poder é o que sou, bicho-homem. Meu poder é meu querer, e meu desejo é fantástico.
Todavia eu reconheço que tu me fizeste: eu vim de ti.
Céu e mar são para mim um só azul. Não existo a partir da linha do possível. Para quê, afinal? A tua raça é velha e já viu de tudo. Exceto o feérico bioma do além, o incandescente prazer do deslumbramento, o mistério das suposições livres, a realização do irrealizável. O Fantástico.
Sou o mais profundo do teu ser recalcado por humanidade. Encerraste-me na mesma gruta onde vivem teus opróbrios, e acreditas que sou digno de tais companhias. Talvez até penses em mim como pecado.
Tanto faz, azar o teu.
Porque, mesmo preso, sou livre, porque sou impossível, porque posso fazer qualquer coisa. E tudo. E nada. Depende.
Meu poder é o que sou, bicho-homem. Meu poder é meu querer, e meu desejo é fantástico.
Todavia eu reconheço que tu me fizeste: eu vim de ti.
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Doida
Cara, quer saber?
Eu me amo muito! Juro...
Eu só tenho os meus olhos para ver o mundo;
E os meus olhos só têm o meu corpo para existir.
Então tá, né.
Doida.
Eu me amo muito! Juro...
Eu só tenho os meus olhos para ver o mundo;
E os meus olhos só têm o meu corpo para existir.
Então tá, né.
Doida.
domingo, 3 de agosto de 2008
Oi
Bom, acho que quando voltei estava muito ocupada e acabei esquecendo da manutenção desse treco aqui.
Hoje, então, vou falar sobre o meu dia:
Eu tive dois tempos de aula de História (Independência da América Espanhola) e tive mais uma prova de que algumas pessoas simplesmente insistem em não entender, ou entender a coisa errada.
Sabe?
Tá, provavelmente não. Vou explicar: Os filhos de Chapetones NÃO SÃO Criollos!
Aí foi Física, mas ninguém prestou atenção, já que o Viajante tava dando aula. Eu achei legal, porque ele falou sobre as perguntas básicas da religião. Mas o Viajante precisa rever isso, porque ele só apresentou duas, e se não me engano eram cinco os questionamentos básicos das religiões (quem sou eu, de onde vim, para onde vou, onde estou e quem me criou. O Viajante só falou da primeira e da quarta). Depois foi Física de verdade, já que o Marcelo roubou um tempo do Viajante para revisar refração. Quis preparar-nos para a prova de laboratório, que será na terça que vem, eu acho.
Também aprendi por que os fones de ouvido têm ímãs, mas eu já esqueci a explicação, visto que sou jegue.
Depois o recreio, com a Jade e a Mari, porque a Patricia faltou e a Gi ainda não voltou da viagem (na verdade, ela já deve ter voltado), e também com um Pedro vestido de malandro que mais parecia o Wally.
Aí tivemos Sociologia, e fiquei fascinada mais uma vez com as pérolas da minha turma. É o preço que pago pela ausência no ano passado...
Matemática (lapso).
A aula acaba e a Jade me pede carona porque ela é muito cara-de-pau. Por sinal, eu não gostei nem um pouquinho disso, a Jade é chata. Odiei principalmente a parte do jacaré.
EU SOU NORMAL.
No carro a Jade me contou fofocas da Alemanha e eu descobri que não conheço ninguém do colégio. E também vimos pessoas do Cruzeiro de identidades indefinidas na Av. Maracanã, mas temos suspeitos, o que é muito estranho (?).
E eu comi salpicão (só picão)! Mas eu peguei uma azeitona, o que é muito ruim... Vi Nosferatu, do Werner Herzog, também. E vi Batman Begins. E vi Batman - O Cavaleiro das Trevas. É, hoje foi o dia do morcego, duh.
O PV disse que eu sou o Coringa! Ah, eu tô cansada de falarem da minha boca. Antes que achem estranho, sim, eu sei que o nome dele em português é errado, o certo seria Curinga, mas o nome do personagem é esse, o que fazer?
Continuando... Ah, eu tô cansada de falarem da minha boca. Ela é normal.
EU VI A TAÍSSA!
Do nada. Tava dançando naquele treco do Playland, sei lá. A doida quebrou minha coluna e meteu medo no meu namorado.
Como se já não bastasse matar os indivíduos à sua volta com tanto carinho, Taíssa virou um perigo para si mesma. Ela quebrou o pé. (Sim, e tava dançando naquelas máquinas mongas de dança)
Taíssa é louca (pleonasmo brabo, esse).
Ah, e eu fiquei no cinema com o PV até às duas da manhã, porque a gente só conseguiu pegar lugar juntos na sessão de onze e vinte.
Eu amo muito ele, ele é o momô da minha vida, e a gente vai morar num castelo cor-de-rosa.
Hoje foi aniversário da minha mãe.
Ah, acho que só isso.
Viram porque não escrevo meus dias aqui?
Não tenho dom para isso.
Hoje, então, vou falar sobre o meu dia:
Eu tive dois tempos de aula de História (Independência da América Espanhola) e tive mais uma prova de que algumas pessoas simplesmente insistem em não entender, ou entender a coisa errada.
Sabe?
Tá, provavelmente não. Vou explicar: Os filhos de Chapetones NÃO SÃO Criollos!
Aí foi Física, mas ninguém prestou atenção, já que o Viajante tava dando aula. Eu achei legal, porque ele falou sobre as perguntas básicas da religião. Mas o Viajante precisa rever isso, porque ele só apresentou duas, e se não me engano eram cinco os questionamentos básicos das religiões (quem sou eu, de onde vim, para onde vou, onde estou e quem me criou. O Viajante só falou da primeira e da quarta). Depois foi Física de verdade, já que o Marcelo roubou um tempo do Viajante para revisar refração. Quis preparar-nos para a prova de laboratório, que será na terça que vem, eu acho.
Também aprendi por que os fones de ouvido têm ímãs, mas eu já esqueci a explicação, visto que sou jegue.
Depois o recreio, com a Jade e a Mari, porque a Patricia faltou e a Gi ainda não voltou da viagem (na verdade, ela já deve ter voltado), e também com um Pedro vestido de malandro que mais parecia o Wally.
Aí tivemos Sociologia, e fiquei fascinada mais uma vez com as pérolas da minha turma. É o preço que pago pela ausência no ano passado...
Matemática (lapso).
A aula acaba e a Jade me pede carona porque ela é muito cara-de-pau. Por sinal, eu não gostei nem um pouquinho disso, a Jade é chata. Odiei principalmente a parte do jacaré.
EU SOU NORMAL.
No carro a Jade me contou fofocas da Alemanha e eu descobri que não conheço ninguém do colégio. E também vimos pessoas do Cruzeiro de identidades indefinidas na Av. Maracanã, mas temos suspeitos, o que é muito estranho (?).
E eu comi salpicão (só picão)! Mas eu peguei uma azeitona, o que é muito ruim... Vi Nosferatu, do Werner Herzog, também. E vi Batman Begins. E vi Batman - O Cavaleiro das Trevas. É, hoje foi o dia do morcego, duh.
O PV disse que eu sou o Coringa! Ah, eu tô cansada de falarem da minha boca. Antes que achem estranho, sim, eu sei que o nome dele em português é errado, o certo seria Curinga, mas o nome do personagem é esse, o que fazer?
Continuando... Ah, eu tô cansada de falarem da minha boca. Ela é normal.
EU VI A TAÍSSA!
Do nada. Tava dançando naquele treco do Playland, sei lá. A doida quebrou minha coluna e meteu medo no meu namorado.
Como se já não bastasse matar os indivíduos à sua volta com tanto carinho, Taíssa virou um perigo para si mesma. Ela quebrou o pé. (Sim, e tava dançando naquelas máquinas mongas de dança)
Taíssa é louca (pleonasmo brabo, esse).
Ah, e eu fiquei no cinema com o PV até às duas da manhã, porque a gente só conseguiu pegar lugar juntos na sessão de onze e vinte.
Eu amo muito ele, ele é o momô da minha vida, e a gente vai morar num castelo cor-de-rosa.
Hoje foi aniversário da minha mãe.
Ah, acho que só isso.
Viram porque não escrevo meus dias aqui?
Não tenho dom para isso.
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Comunicado
Gostaria de comunicar o retorno de Maria Júlia da Rosa Miguel Andrade Silva à presidência de sua própria vida.
*
Essência e escolha! Essência e escolha!
Me rocks, thank you very much.
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Morangos
Eu sou terra.
Uma terra dura, embolotada e fétida. Terra marrom, sem-graça. Que suja, que é suja. Terra onde pisas, onde defecam os animais. Terra maltratada, machucada, da qual cavam do peito e do ventre e do meio da testa a matéria que é: terra. A que só te vê trabalhar e que não conhece nenhum dos teus prazeres no mundo. A que beija a sola de teus pés descalços.
Terra, a que é lama quando encontra a chuva.
A chuva é ela.
Ela refresca, é gostosa, roça teu corpo e molha a tua camisa. Escorre por tua boca aberta e sedenta, e te alivia. Mas a mim só transforma em lama. Em pastosa decepção.
Então resolvo que de mim brotarão morangos. Para sempre e só morangos. Vermelhos, suculentos, enormes e deliciosos morangos. Morangos que eu farei com a água que tiro da chuva.
Morangos que eu farei para ti.
Depois... depois a chuva pára.
Uma terra dura, embolotada e fétida. Terra marrom, sem-graça. Que suja, que é suja. Terra onde pisas, onde defecam os animais. Terra maltratada, machucada, da qual cavam do peito e do ventre e do meio da testa a matéria que é: terra. A que só te vê trabalhar e que não conhece nenhum dos teus prazeres no mundo. A que beija a sola de teus pés descalços.
Terra, a que é lama quando encontra a chuva.
A chuva é ela.
Ela refresca, é gostosa, roça teu corpo e molha a tua camisa. Escorre por tua boca aberta e sedenta, e te alivia. Mas a mim só transforma em lama. Em pastosa decepção.
Então resolvo que de mim brotarão morangos. Para sempre e só morangos. Vermelhos, suculentos, enormes e deliciosos morangos. Morangos que eu farei com a água que tiro da chuva.
Morangos que eu farei para ti.
Depois... depois a chuva pára.
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